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Qui, Jul

Paciente é ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira - Foto: CB Estevam / CComsex

Aos 99 anos, o ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Ermando Piveta recebeu alta hoje (14) do Hospital das Forças Armadas (HFA), na capital federal, após internação por covid-19. Ele é o brasileiro mais velho a receber alta após tratamento do novo coronavírus.

“O paciente chegou ao hospital no dia 6 de abril, com um quadro de infecção pulmonar, já era sabidamente covid positivo e teve uma infecção bacteriana secundária. As primeiras 48 horas foram mais complicadas porque teve que ficar no CTI, em observação ventilatória, o desconforto era grande, mas não chegou a evoluir para ventilação mecânica”, disse Nestor Francisco Miranda Júnior, Diretor Técnico de Saúde do Hospital das Forças Armadas.

“A partir disso, houve uma grande melhora, respondendo bem aos antibióticos empregados e hoje ele recebe alta já curado e pronto para seu convívio familiar”, acrescentou. O militar da reserva permaneceu por oito dias na Ala covid do hospital, exclusiva para os casos positivos da doença.

“Vencer esta batalha para mim foi maior do que vencer a guerra, porque essa é uma peste, como em 1918 [Gripe Espanhola], é mundial. Eu saí dessa. Para mim, foi uma luta tremenda, mais do que na guerra. Na guerra você mata ou vive. Aqui você tem que lutar para viver e eu saí dessa luta vencedor”, disse Piveta ao deixar o hospital, conforme divulgou o Exército brasileiro.

Ele agradeceu os cuidados da equipe de saúde. “Quero dar os parabéns à equipe médica que tanto me ajudou e a força que o Exército me deu, acompanhando minha saúde. Estou com uma emoção tremenda.”

Dos cerca de 42 mil postos de saúde espalhados por todo o país, 1.987 ampliaram o horário de atendimento à população - Foto: Divulgação

Para reforçar o atendimento durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional pela covid-19, o Governo do Brasil facilitou a adesão dos municípios ao programa Saúde na Hora, que amplia repasses mensais a postos de saúde que estenderem o horário de atendimento à população. No início de março, o Ministério da Saúde anunciou a flexibilização de alguns critérios para que todos os cerca de 42 mil postos de saúde espalhados pelo Brasil pudessem participar do programa. No período de um mês, o Ministério da Saúde recebeu menos de 300 novas solicitações de adesão para que postos de saúde possam abrir as portas por mais tempo para prestar assistência à população.

Atualmente, 1.987 (5%) postos de saúde participam do programa, em 387 (7%) municípios. Deste total, até o momento, 900 deles começaram a funcionar com horário ampliado, sendo os estados com os maiores números de adesão ao programa São Paulo, com 407 unidades de saúde, e Minas Gerais, com 288. Caso todos os postos de saúde (1.987) que aderiram ao programa já estivessem funcionando por mais tempo, o investimento federal chegaria a R$ 53,7 milhões de um total R$ 1,7 bilhão disponibilizado para o programa. Desta forma, mais de 40 milhões de brasileiros seriam beneficiados.

Com o Saúde na Hora, a população passa a ter mais flexibilidade de horário para acessar os serviços ofertados nos postos de saúde, como consultas médicas e odontológicas, coleta de exames laboratoriais, aplicação de vacinas, pré-natal, entre outros. Estudos indicam que cerca de 90% dos casos leves de coronavírus podem ser atendidos nos postos de saúde. A população pode buscar os serviços quando apresentar os sintomas iniciais do vírus, como febre baixa, tosse, ou dor de garganta.

Mais acesso
Diante da pandemia por coronavírus, o Ministério da Saúde flexibilizou os critérios para adesão ao programa Saúde na Hora. Assim, as unidades que contam com duas ou mais equipes de Saúde da Família também podem participar. Antes, as unidades precisavam ter, no mínimo, três equipes. Também não é mais necessária a presença de um gerente nestas unidades. Das 290 habilitações para postos de saúde com até duas equipes, somente 5 já ampliaram o horário. O restante está dentro do prazo para se adequar.

O Governo do Brasil também estendeu, emergencialmente, o programa para unidades que possuem apenas uma equipe de Saúde da Família. A estratégia é emergencial e temporária, para ampliar o acesso da população em cerca de 28 mil unidades de saúde menores, durante a pandemia. Por atuarem apenas com uma equipe de saúde, essas unidades não podiam aderir ao programa Saúde na Hora, mas, com a estratégia emergencial, essas unidades também podem receber mais recursos federais para funcionar com horário estendido. São R$ 15 mil/mês adicionais para as unidades funcionarem por mais 12h por semana e R$ 30 mil/mês para 15h semanais. Atualmente, a maior parte destes serviços funcionam por 40h por semana.

Para agilizar o processo nessa modalidade emergencial, os municípios não precisam solicitar adesão, basta comprovar produção em horário ampliado, como consultas médicas e de enfermagem em horário noturno ou aos fins de semana. Até o momento, 113 unidades estão funcionando em horário estendido e já recebem os recursos federais.

Objetivo é ampliar a capacidade laboratorial brasileira para identificar com mais agilidade casos positivos - Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde está convocando, por meio de chamamento público, empresas privadas para realizarem serviço de processamento de amostras respiratórias de testes RT-PCR (biologia molecular) para detecção da COVID-19. O contrato será emergencial e estabelece o limite de 3 milhões de exames, com processamento diário de até 30 mil testes em tempo real. As propostas devem ser enviadas até às 23h59 desta terça-feira (14), conforme orientações que constam no Aviso de Chamamento Público, publicado no Diário Oficial da União (DOU), na segunda-feira (13).

“Esse talvez seja o projeto mais complexo que o Ministério da Saúde teve que desenhar, porque ele parte de parcerias público-privadas, de comodato (empréstimo) de máquinas e de uma estratégia nacional para coletar as amostras respiratórias. A ideia é gerar uma usina de exames e procurar trabalhar com 24 horas entre o exame e a resposta. Vamos trabalhar com laboratórios públicos e privados, isso vai nos ajudar a aumentar a capacidade de resposta laboratorial e conseguir identificar casos positivos de pacientes sintomáticos e assintomáticos”, explicou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Será contratada apenas uma empresa que receberá apoio do Ministério da Saúde com o fornecimento de insumos e equipamentos para a realização e produção de laudos de exames da COVID-19. Até o momento, 93.343 amostras estão em análise nos laboratórios, sendo que 60.120 foram processadas e outras 27.761 estão em triagem nos laboratórios centrais. Esse número tem uma variação diária, de acordo com o processamento dos laboratórios. Alguns estados já trabalham em parceria com as unidades da FIOCRUZ e universidades para reduzir ou acabar com o passivo de exames.

Distribuição de testes
Até o momento, foram enviados 451,4 mil testes RT-PCR (biologia molecular) aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) de todo o país, além dos laboratórios de referência nacional. O quantitativo faz parte das aquisições já entregues ao Ministério da Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz (104.872), Instituto de Biologia Molecular do Paraná - IBMP (45.560) e doação da Petrobrás (300 mil).

Este tipo de teste identifica o vírus que provoca a COVID-19 logo no início dos sintomas, ou seja, no período em que ainda está agindo no organismo. Ele é usado para diagnosticar casos graves internados com a COVID-19. Além disso, é utilizado na Rede Sentinela, que acompanha por amostragem a evolução da doença no Brasil, como os sintomas dos casos associados ao vírus tanto em quadros graves, na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quanto em casos leves, na Síndrome Gripal (SG).

Programa prevê financiamento de R$ 2 bilhões para combate à covid-19 - Foto: Maurício Bazílio/ GOV RJ

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira (14) a aprovação do primeiro financiamento do Programa de Apoio Emergencial ao Combate da Pandemia do Coronavírus. A empresa RTS, especializada na venda, locação e assistência técnica de produtos médico-hospitalares, receberá uma linha de crédito de R$ 50 milhões.

Segundo o banco, os recursos serão usados na implantação de mais 300 leitos de UTI em hospitais públicos do país, dos quais 200 serão entregues imediatamente ao Ministério da Saúde e o restante para secretarias estaduais de Saúde, de acordo com informação do BNDES.

Lançado no dia 29 de março, o programa vai destinar R$ 2 bilhões em financiamentos a empresas do setor de saúde. O BNDES informou que 18 empresas demonstraram interesse em obter financiamento por meio dessa linha de crédito emergencial, das quais 12 já estão habilitadas. Os contratos, porém, ainda não foram firmados.

O banco calcula que o valor total do projeto permitirá a implantação de três mil novos leitos de UTI, quinze mil respiradores pulmonares e 88 milhões de máscaras, entre outros materiais e equipamentos, para incorporação ao sistema de saúde nacional.

Valor mínimo
É concedido crédito emergencial com valor mínimo de R$ 10 milhões, visando o aumento da oferta de leitos de UTI, bem como de equipamentos, materiais, insumos, peças, componentes e produtos para saúde, para atendimento das necessidades de assistência às vítimas, diretas e indiretas, da pandemia da covid-19.

Sediada no Rio de Janeiro e com filiais em Porto Alegre, São Paulo, Natal, Curitiba e no estado do Ceará, a RTS gerencia mais de mil leitos em cerca de 100 hospitais, públicos e privados, no Brasil. No dia 16 de março, a empresa assinou contrato com o Ministério da Saúde, para locação e gestão integrada de, no mínimo, 20 módulos de UTI adulta ou pediátrica de alta complexidade, com dez leitos cada, para ampliar hospitais federais de grande porte em capitais brasileiras, o que resultará em 200 novos leitos.

Santa Casa da Bahia
Em outro programa, O BNDES Saúde - Gestão, foi aprovado financiamento de R$ 100 milhões para melhorias operacionais e reestruturação financeira da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, em Salvador. O programa apoia a melhoria de gestão, governança, eficiência e qualidade da assistência à saúde das Santas Casas no país. A participação do banco alcança 97,3% do investimento total do projeto, da ordem de R$ 102,3 milhões, com prazo total da operação de 12 anos.

Referência para o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) a casos de coronavírus, o Hospital Santa Izabel, gerido pela Santa Casa de Misericórdia da Bahia, realiza mais de 637,6 mil atendimentos e 15,9 mil cirurgias por ano e disponibilizou agora 31 leitos para pacientes com coronavírus, sendo 14 de UTI. Segundo informou o BNDES, a principal atividade da Santa Casa é a administração do Hospital Santa Izabel, no bairro de Nazaré, que envolve 39 especialidades médicas, entre as quais cardiologia, oncologia, neurologia, ortopedia e pediatria. São 477 leitos (84 em UTIs) e 13 salas de cirurgia.

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