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Ter, Ago

Aleitamento materno exclusivo até 8 meses: uma necessidade

Foto: Pixabay

Saúde
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A amamentação desempenha um papel importante na saúde dos neonatos, sendo o leite materno o alimento que fornece os nutrientes que a criança necessita para um adequado crescimento e desenvolvimento e oferece efeitos protetores essenciais para a redução de alergias alimentares, que está relacionada com interferências nutricionais nessa fase da vida. Nenhum outro alimento ou leite industrializado modificado é capaz de oferecer ao bebê todos os ingredientes presentes no leite materno.

A substituição do leite materno por outros alimentos pode desencadear problemas de saúde e a ocorrência de doenças, pois os lactentes principalmente nos primeiros meses de vida apresentam o sistema imunológico e gastrointestinal imaturo, estando mais susceptíveis a absorção de macromoléculas e ao desenvolvimento de reações de hipersensibilidade, podendo desencadear problemas.

ATENÇÃO: outro leite que não seja o materno, trará problemas para o recém-nascido, principalmente

alergia alimentar

Estima-se que as alergias alimentares vêm apresentando um aumento significativo nas últimas décadas, afetando crianças menores de três anos de idade com prevalência de 6% a 8% em decorrência a exposição cada vez mais precoce e inadequada de alimentos complementares à dieta dessas crianças nessa faixa etária. A substituição do leite materno pelo leite de vaca, por exemplo, antes dos oito meses de vida, aumenta a probabilidade do desenvolvimento de alergias alimentares, mas qualquer alimento oferecido aos lactentes precocemente pode desencadear reação alérgica, sendo os mais comuns leite de vaca, soja, ovos, amendoim, castanhas, camarão e peixe.

ATENÇÃO: Os alimentos mais frequentemente presentes nos casos de alergia alimentar são: leite de vaca, soja, ovo, amendoim, castanhas, camarão e peixe.

Com base nos dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, é possível observar que no Brasil a duração média de aleitamento materno exclusivo é de apenas 1,4 meses. Amamentação exclusiva ocorreu apenas em 35% das crianças durante os primeiros quatro meses de vida. Já no primeiro mês de vida, 25% das crianças entre 3 e 6 meses, além do leite materno, já consomem outro tipo de leite, comida salgada e frutas.

Mais recentemente, vários estudos mostraram que o colostro e o leite materno são fontes contínuas de bactérias comensais e potencialmente probióticas para o lactente. De fato, o leite humano é uma importante fonte de bactérias para o intestino de bebês. Observou-se que a administração de cepas de lactobacilos do leite materno a bebês de 6 meses de idade levou a reduções de 46, 27 e 30% na frequência do trato gastrintestinal, trato respiratório superior e número total de infecções, respectivamente.

ATENÇÃO: O colostro do leite materno é essencial para a maturação do sistema imune do recém-nascido e a sua principal fonte de bactérias para o seu intestino.

A partir do momento que a mãe entra em contato com patógenos ou amamenta, novos anticorpos são formados, pois há troca de microbiota da saliva do bebê para a mãe no ato da amamentação. Isso quer dizer que o sistema imunológico gera anticorpos que posteriormente serão transmitidos ao filho em próximas mamadas. Se o bebê ingere leite artificial, estará apenas produzindo seus próprios anticorpos (que serão presentes em níveis baixos) e será mais vulnerável a infecções.

Além da composição nutricional proporcionalmente adequada à dieta da criança, o leite materno possui mais de 250 elementos e outros componentes que podem atuar em defesa do organismo do lactente, como imunoglobulinas, fatores anti-inflamatórios e fatores imunoestimuladores. Algumas imunoglobulinas são passadas de mãe para filho através do leite materno.

A principal de todas é a IgA secretora, que falta nos intestinos das crianças até os 4 meses de vida. Esta IgA secretora é a nossa primeira defesa contra a alergia alimentar, passada pelo leite humano, podendo então conferir uma proteção passiva para o sistema imune da criança. A IgA secretora é o principal anticorpo, que atua contra microorganismos presentes nas superfícies das mucosas e sua concentração nos intestinos da criança depende da presente no leite materno amamentado.

ATENÇÃO: A IgA secretora do leite materno é a única fonte protetora contra a alergia alimentar e as infecções intestinais, nas crianças amamentadas. As que não têm o leite humano não têm esta proteção.

A IgA é a principal imunoglobulina presente no colostro, permanece no intestino do recém-nascido amamentado e inibe a aderência e adesão de vírus e bactérias na mucosa intestinal tal como neutraliza toxinas e outros fatores de virulência. A imunoglobulina A é capaz de promover ligações químicas entre microorganismos e macromoléculas o que resulta em inibição da interação entre bactérias e células epiteliais. A IgA resiste à desnaturação proteica do pH intestinal - portanto, pode ser encontrada em todo trato intestinal com sua atividade protetiva preservada. Outros fatores de proteção são os chamados anticorpos IgM e IgG, lactoferrina, lisozima e fator bífido.

As citocinas presentes no leite humano podem ter um efeito imunoestimulante ou imunomodulador nas células fagocíticas e nos linfócitos envolvidos no desenvolvimento da resposta imune específica da criança, atuando na prevenção de alergias e hipersensibilidades.

As células reguladoras presentes no leite humano podem reduzir a inflamação intestinal mediante mecanismos protetores dependentes do fator de crescimento tumoral, que é regulado pelo leite humano nas crianças normais. As crianças que padecem de alergia alimentar têm este fator alterado ou diminuído, nos intestinos. Este mesmo fator que se encontra no leite materno pode diminuir os riscos de enfermidade alérgica ou infecciosa nessas crianças.

Por isso o aleitamento materno exclusivo deve ser mandatório enquanto for suficiente para manter as curvas de peso e crescimento normais nos recém-nascidos e lactentes. Com esta amamentação exclusiva damos tempo para a estimulação da maturação e crescimento da flora entérica da criança, maturação dos fatores protetores mencionados e observamos ser suprimida a resposta imunológica alérgica da criança. Além disso, temos os elementos indispensáveis para a maturação imunológica que se dá após o nascimento, que só se estabelece com o passar do tempo. Por esta razão a amamentação exclusiva deve durar por 8 meses, tempo adequado para a maturação do sistema imune do lactente. Ao final do primeiro ano de vida, as crianças já têm um sistema imune em equilíbrio, que será mantido ao longo dos anos.

ATENÇÃO: Amamentação exclusiva por 8 meses é indispensável para que ocorra a maturação do sistema imune das crianças. Nunca amamente por menos

de 8 meses.

A imaturidade do sistema imunológico dos neonatos está diretamente relacionada à sensibilização alérgica, correlacionando o aparecimento de alergias em crianças que foram privadas do aleitamento materno exclusivo, o que pode também trazer outras consequências à saúde como a exposição a agentes infecciosos que podem causas reações alérgicas.

O conhecimento dessa relação não é de domínio popular. Metade das mães avaliadas demonstraram desconhecer a influência que o aleitamento pode exercer na saúde de seus filhos. As deficiências de conhecimento são semelhantes entre todas elas. Estes conhecimentos devem ser sempre partilhados para que ações abrangentes sejam instituídas como medidas de combate ao desmame precoce no país e diminuir a prevalência de diversas doenças, como as alergias alimentares e as infecções nos lactentes. n

 

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