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Outubro Rosa, um mês de alerta

Fábio Nogueira, secretário-geral adjunto da OAB/RJ, fala sobre a importância da data

Fábio Nogueira é secretário-geral adjunto da OAB-RJ

Divulgação

FÁBIO NOGUEIRA

Este é o mês de alerta mundial contra o câncer de mama, mal que deve atingir 59.700 pessoas no Brasil este ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), com um risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres. É um número alarmante, porque, se afeta mais as mulheres, também pode ser diagnosticado em homens.

O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama e foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. O objetivo maior da campanha, que envolve inúmeros países, é compartilhar informações e conscientizar sobre a doença, abrir acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Não há quem fique de fora de uma campanha como essa. O caso mais famoso, da atriz Angelina Jolie que retirou as mamas para se prevenir de uma herança genética de câncer de mama e fez dessa cirurgia uma causa e um alerta planetário, é emblemático, mas não é único. O pai da cantora Beyoncé, o empresário Mathews Knowles, em entrevista ao Good Morning America, anunciou no início do mês que também foi diagnosticado com a doença, registrada em 1% dos homens. Ele fez a cirurgia em julho e ainda está em tratamento.

O diagnóstico precoce, todos sabemos, é essencial para se conseguir combater a doença com eficácia. No Brasil, contudo, ainda vivemos o drama da falta de políticas públicas efetivas e permanentes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Campanhas como o Outubro Rosa são educativas, chamam a atenção para o problema, mas necessitam de suporte cotidiano no serviço público de saúde: mamografias frequentes, acompanhamento dos casos, acesso a tratamentos, além da detecção precoce do mal.

O Brasil, é preciso reconhecer, já avançou muito nesse quesito, mas estamos longe da perfeição. Regiões como Norte e Nordeste são as mais carentes desses atendimentos na rede pública de saúde e as mais necessitadas de apoio. Especialistas concordam sobre a urgência de o Brasil planejar políticas públicas específicas para o diagnóstico precoce do câncer, especialmente o câncer de mama, assim como fez quando investiu em uma campanha sem tréguas contra o tabaco, reduzindo o consumo de cigarros a menos de 20% no país em duas décadas de combate permanente.

A Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, ligada à Organização Mundial de Saúde, adverte que os casos da doença do mundo podem chegar a 29,4 milhões em 2040 se nada for feito para combater os vários tipos da doença. No caso do Brasil, a entidade calcula que podem ter um aumento de 78,5% nos próximos 20 anos, um dos maiores crescimentos entre todas as economias do mundo. O câncer de mama hoje corresponde a 28% de todos os diagnósticos da doença registrados no nosso país - o que faz dele o tumor mais incidente entre as mulheres depois do câncer de pele-não melanoma. Mundialmente os dados também são alarmantes: o câncer de mama afeta 2,1 milhões de pessoas por ano e é o quinto que mais mata, de acordo com estudo da mesma Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer.

Levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) indica que uma em cada 12 mulheres receberá o diagnóstico de um tumor nas mamas até os 90 anos de idade. E é mais que sabido que as chances de cura chegam a 95% dos casos quando o tumor é detectado no início. Mas a mamografia, um dos principais mecanismos de controle e identificação da doença, ainda é tecnologia em falta em centros de atendimento público de saúde no Brasil. Estima-se que quase 4 milhões de mulheres brasileiras com mais de 40 anos nunca fizeram o exame e a maioria delas reside na região Norte.

O diagnóstico precoce é fundamental para vencer o tumor. E o acesso aos exames e ao diagnóstico, além do tratamento, tem de ser assegurado pelos serviços básicos de saúde em todos os níveis: nos municípios, nos estados e no âmbito federal. O Outubro Rosa não termina no dia 31. Tem de durar 365 dias, e mais 365 dias e mais 365 dias... Para sempre!

 

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