Alças na Ponte podem gerar gargalo

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Problema na ligação com a Linha Vermelha levantado por concessionária será debatido em audiência na Alerj

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) realizará nesta segunda (2), às 11h, no Palácio Tiradentes, uma audiência pública para debater os impactos no trânsito gerados pela alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha que está sendo construída.

"O tema da mobilidade urbana é central para a Comissão da Região Metropolitana juntamente com as questões do saneamento e moradia. Essa obra é importante porque melhorará o fluxo de veículos que saem da Ponte Rio-Niterói para a Linha Vermelha por um acesso rápido e facilitado, beneficiando os moradores do Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo. Há uma preocupação, que será abordada na audiência, com a sincronia entre essas obras e as do BRT, seja no trecho de ligação entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, seja no trecho próximo à Rodoviária Novo Rio", declarou o deputado Waldeck Carneiro, presidente da Comissão Especial de Acompanhamento para Implantação do Novo Modelo de Governança da Região Metropolitana do Estado.

Segundo a EcoPonte, se não houver uma compatibilização das duas intervenções, há o risco deste proveito da alça da Ponte ser muito diminuído por causa do gargalo que se formará na via lateral da Avenida Brasil, que acabará confluindo com a saída da Ponte em relação à Linha Vermelha.

"Há de se ter uma solução de engenharia, talvez um alargamento da via com a demolição do canteiro naquele trecho, para que essa obra não seja prejudicada pela outra. Na questão da Rodoviária Novo Rio também, pois ali há um risco de atrapalhar a descida de quem trafega de ônibus, pois o próximo ponto estará somente na Leopoldina. A audiência, portanto, discutirá não somente os aspectos positivos da obra da alça de ligação, mas também o ajuste fino com a obra do BRT. Se isso não for ajustado, a emenda pode sair pior que o soneto", complementou Waldeck.

Estarão presentes na audiência o diretor-superintendente da EcoPonte, Júlio Amorim; o diretor-presidente da CET-Rio, Airton Aguiar Ribeiro; e o superintendente administrativo-financeiro da Câmara Metropolitana do Rio, Nelson Sampaio.

As Obras - A previsão é de que, em três meses, 15 mil motoristas utilizem diariamente a interligação entre a Ponte Rio-Niterói e a Linha Vermelha, um transtorno agravado pelas obras do BRT Transbrasil. A construção das alças de acesso está 80% pronta. Serão 2.500 metros de um viaduto que passará sobre a Rua Carlos Seixas, no Caju, e chegará à Linha Vermelha na altura do Km 3 da via. A expectativa da EcoPonte é que a construção beneficie 20% dos cerca de 75 mil motoristas que utilizam a Ponte em direção ao Rio diariamente. Como contrapartida ao Exército pelo uso do Arsenal de Guerra, a EcoPonte está construindo um novo prédio da Indústria de Material Bélico do Brasil (INBEL).

Em paralelo, a EcoPonte está construindo um outro viaduto, que começa no Cais do Porto, sob a Reta do Cais, e segue junto à alça de ligação com a Linha Vermelha. Ele passará sobre a via expressa e desembarcará na Avenida Brasil, cobrindo parte da Rua Prefeito Júlio de Moraes Coutinho, na altura de Manguinhos. Trata-se da Avenida Portuária, que terá 3.200 metros em mão dupla e será exclusiva para caminhões de carga que operam na região do Porto.

Contrato de Concessão - As duas obras, que custarão R$ 450 milhões, estão previstas no contrato de concessão da EcoPonte, que teve início em junho de 2015. O valor será integralmente pago pela empresa. Os viadutos terão câmeras de monitoramento e assistência da concessionária.