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Turismo de negócios movimenta R$ 5,57 bi

Por Hamilton Vasconcellos, presidente da Comissão de Turismo da OAB-RJ

Hamilton Vasconcellos

Divulgação

Ampliar mercado de turismo de negócios é o grande desafio do município do Rio de janeiro para incrementar, ainda mais, sua vocação turística. O promissor mercado cresceu 14,7% no primeiro semestre de 2019 no comparativo com 2018 e movimentou, em todo o Brasil, R$ 5,57 bilhões, aproximadamente 33% mais do que as viagens motivadas por lazer, segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp).

Um encontro de negócios (missões, reuniões, viagens corporativas) requer, entre outras iniciativas, uma boa organização e espaços variados como: salões para eventos, salas de reuniões, espaços para treinamentos, locais para feiras e muita mão de obra local. Assim, o turismo de negócios acaba impactando bastante a economia de uma região, pois vai além da reserva de um quarto de hotel, da aquisição de passagens aéreas, aluguéis de carros, gastos com alimentação e no comércio local.

São Paulo é o município brasileiro com melhor resultado neste mercado. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), destaca um estudo da Expedia, site de demandas de voos, que aponta São Paulo como 18ª destino popular de negócios no mundo. Já o levantamento "Índice de Destinos Globais" da MasterCard, mostra que o segmento é responsável por 67% da movimentação turística da capital.

Além disso, um estudo da FecomercioSP, em sua Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), calcula que em 2018, as empresas ligadas ao setor de hospedagem e eventos, tenham encerrado ano com faturamento de R$ 7,65 bilhões.

Dados do Ministério do Turismo sobre a demanda internacional, mostram que em 2018, turismo de negócios foi o terceiro principal motivo da vinda de estrangeiros para o Brasil abocanhando 13,5% do total de visitantes, sendo que, deste porcentual, 48,7% tiveram como destino São Paulo. Rio de Janeiro ficou com 19,7%, Curitiba 4,5%, Campinas 3,9% e Porto Alegre 3,4%. O gasto médio per capita, por dia, desses viajantes foi de US$ 84,33.

Estudo recente da Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA) apontou o Brasil como o principal destino Latino Americano para a realização de congressos e eventos corporativos. Em todo mundo, o país está entre os 20 destinos mais procurados pelos executivos para a realização de eventos deste tipo, ocupando a 17ª posição. São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu lideram a lista das cidades mais demandadas no Brasil.

Um dado interessante revelado pela pesquisa da Expedia é a transformação de uma visita de negócios para uma de lazer. Segundo o estudo, realizado na China, Alemanha, Índia, Reino Unido e Estados Unidos, para cada 4 dias de turismo de negócios as pessoas ainda ficam mais 3 dias por lazer.

Não custa lembrar, que a pesquisa do Ministério do Turismo sobre a demanda internacional - 2018 - revela que a categoria Lazer responde pela maior parte das visitas ao país (58,8%) e que o Rio é o primeiro neste segmento, recebendo 29,7% destes turistas. Em segundo lugar, com 17,1%, está Florianópolis, em terceiro, Foz do Iguaçu com 12,9%, Búzios em quarto com 8,2% e São Paulo, em quinto, com 7,9%.

Quando aprofundamos a análise no segmento de lazer, tendo como base os dados do Ministério do Turismo divulgados em 2019 e referentes a 2017, verificamos que na subcategoria Sol e Praia, que responde por 72% desse segmento, o Rio fica com cerca de 23% dos turistas, liderando o segmento. A liderança permanece em turismo de Esportes com 18%, Natureza, Ecoturismo/Aventura com 16% e em turismo cultural, onde o Rio alcança um excelente resultado, com cerca de 50% de toda a movimentação turística da categoria.

Na categoria outros motivos, que atinge 27,7% dos turistas da demanda internacional, ou seja, um volume importante e que tem como sua principal característica a visita a amigos e parentes, São Paulo fica com 28,3%, Rio de Janeiro 18,4% Curitiba 5,1% e Belo Horizonte, 4,7%.

A pesquisa da Expedia fornece ainda outras pistas quanto ao caminho a ser percorrido. Ela revela que quanto mais longe for o destino, mais tempo será a estadia do visitante. Considerando que em turismo de negócios, segundo a pesquisa, 29% das viagens são internacionais e 71% domésticas. O Rio possui uma grande oportunidade, tanto no mercado internacional como doméstico.

Outro ponto bastante importante a ser destacado é o papel de promotores do destino visitado que os participantes de eventos de negócios se tornam. Eles levam e divulgam em seus países e cidades, as boas lembranças do passeio. Além disso, o gasto desse tipo de turista costuma ser maior do que o dede turistas de lazer. O que é fácil de entender, considerando que as despesas com hotelaria, transporte e alimentação já estão cobertos pelas empresas.

Assim, fazer crescer o segmento de turismo de negócios e eventos é uma ação bastante positiva para a economia do Rio, pois trará maior movimentação no mercado e injeção de recursos para o segmento turístico.

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