UFRJ: retorno presencial das aulas é arriscado

Para a universidade, as atividades escolares representam grande risco - Foto: Ana Marina Coutinho/Coordcom/UFRJ

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Procurado pelo Ministério Público, o Grupo Técnico Multidisciplinar para o Enfrentamento da Covid-19 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) manifestou-se contrário ao retorno presencial das atividades escolares na cidade do Rio.

"O retorno presencial das atividades escolares ainda representa grande risco à saúde pública devido ao aumento da vulnerabilidade de grande número de indivíduos da população associada às dificuldades de preparação e resposta a esta situação emergencial", avalia o grupo de cientistas da UFRJ.

Com base em dados, os pesquisadores da Universidade atestam que depois das medidas de flexibilização das determinações de isolamento houve um aumento do número de casos no município. Os pesquisadores da UFRJ citaram um recente estudo da Universidade de Harvard, que comprovou que a carga viral encontrada nas vias aéreas superiores de pessoas de zero a 22 anos é maior que a de adultos diagnosticados e internados em UTI com coronavírus. O estudo demonstra que crianças e adultos jovens transmitem covid-19, mesmo sem sintomas.

"Preocupações atreladas à transmissibilidade da doença entre escolares, e destes para sujeitos de maior vulnerabilidade, como familiares, funcionários e professores idosos ou com comorbidades, torna essencial a manifestação científica contrária ao retorno das aulas presenciais em escolas no município do Rio de Janeiro neste momento", pontua a equipe do Grupo Técnico da Universidade.

Os cientistas da UFRJ avaliam que "medidas protocolares de checagem de temperatura, sinais e sintomas, utilização de tapetes sanitizantes, entre outros, na admissão de alunos nas escolas podem não impedir, efetivamente, a transmissão do vírus nesses ambientes, colocando em risco a saúde de todos".

Os pesquisadores pontuam, ainda, que há "falta de capacitação dos funcionários e professores na gestão de risco deste complexo desastre biológico, assim como a falta de hábito da sociedade quanto às práticas envolvidas nesta situação".

Justiça suspende aulas - Na última quinta-feira (10), a Justiça do Trabalho deferiu pedido de liminar feito pelo Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) que pedia a suspensão do retorno às aulas presenciais na rede particular do estado a partir desta segunda-feira (14). A decisão da 23ª Vara da Justiça do Trabalho suspende a autorização prevista no decreto 47.250 do governo do estado, publicado no dia 4 de setembro.

As aulas presenciais estão suspensas desde março, por causa da pandemia de covid-19, que levou a óbito mais de 16 mil pessoas no estado. Na decisão, o juiz Elisio Correa de Moraes Neto argumenta que "a média móvel de infectados no Rio de Janeiro ainda não alcançou uma redução concreta", o que é demonstrado nos dados oficiais do estado.

Texto da decisão diz: "Verifica-se que ainda é considerável o índice de contaminação e óbitos por coronavírus, levando à conclusão de que ainda não houve modificação substancial no quadro de risco à vida que ensejou as medidas restritivas adotadas pelo Estado do Rio de Janeiro e por autoridades de todo o mundo".