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Pesca sonha com dias melhores

Setor anseia por mais investimentos, como o complexo da Ilha de Itaoca

Como atividade econômica, a pesca já foi muito importante no município, mas hoje sobrevive graças à resistência dos pescadores

Fotos: Alex Ramos

No passado, o sucesso do setor pesqueiro contribuiu amplamente para o crescimento da economia do município de São Gonçalo, principalmente após a construção do Mercado Público Cônego Goulart, em Neves, focado na compra e venda dos mais diversos produtos. Atualmente, a missão não é nada fácil, mas o amor pelo ofício faz com que os pescadores persistam e se mantenham no mercado.

"Já ouvimos muitos planos para a pesca em São Gonçalo. Resistimos no cenário, pois muitos só têm esse trabalho para sobreviver. Precisamos que as autoridades olhem por nós. Caso contrário, daqui uns anos, o pescador vai ser uma espécie em extinção", acredita o presidente da Associação de Pescadores de São Gonçalo, Sidinho da Pesca.

A profissão, de livre formação, geralmente surge com a prática familiar. O pescador André Veiga, de 56 anos, começou a pescar aos 10, incentivado pelo avô e o pai. E, além de pescar, André fabrica as redes usadas na pescaria.

"Sempre fui pescador, é o que eu amo fazer. Sustentei meus dois filhos com o dinheiro da pescaria e tenho muito orgulho disso", afirmou o pescador.

O filho de André, Keitty Teixeira, de 29 anos, não quebrou a tradição. Na Praia das Pedrinhas, ele constrói e reforma os barcos usados por muitos pescadores.

"Já trabalhei com outros serviços de carteira assinada, mas o que eu me identifico mesmo é a pescaria. A função que tenho de fabricar os barcos me dá gosto! E assim como meu pai, hoje em dia, sustento meu casal de filhos, de 11 e 4 anos, com o que ganho na pesca. Apesar de ainda serem pequenos, acredito que eles vão seguir o mesmo caminho, pois sempre querem vir trabalhar comigo", conta Keitty.

Esperança 

A indústria da pesca que resiste a anseia por novos investimentos conta com um projeto que é muito esperado pelos pescadores: a Cidade da Pesca, um complexo pesqueiro na Ilha de Itaoca. O projeto deve gerar mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, aumentando a produção do pescado, além de diminuir a distância entre a matéria-prima e o consumidor. Quando lançado, em 2014, a previsão do Governo do Estado era de que a Cidade da Pesca começasse a operar em 2017. Porém, cinco anos depois, o projeto não saiu do papel.

Em janeiro deste ano, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, Eduardo Lopes, afirmou que tinha a intenção de estadualizar e pôr em prática o projeto da Cidade da Pesca, em Itaoca.

De acordo com o presidente da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), Vicenildo Medeiros, o projeto está em fase de retomada e ajustes à nova realidade do Estado. Segundo Vicenildo, serão mais de 100 empresas nacionais e internacionais que ficarão instaladas no empreendimento. Destas, aproximadamente 60 já haviam demonstrado interesse por meio de assinatura de uma carta de intenção. O presidente afirma, ainda, que o governador Wilson Witzel está engajado na possível execução do projeto.

"O secretário Eduardo Lopes e eu já estivemos em reuniões com o prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci, e o secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade. Setores da sociedade civil e entidades ligadas à pesca também já foram ouvidos. Além dos estudos de viabilidade, que já estão prontos, só precisando passar por atualizações", garantiu.

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