NITERÓI/RJ
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Idosa morre em SG ao ser atingida por bala perdida

Para a investigação, é provável que o tiro que vitimou Lisete Pereira tenha vindo de um confronto entre PMs e criminosos

Idosa foi atingida enquanto estava no quintal

Divulgação

Uma idosa identificada como Lisete Pereira, de 78 anos, morreu, na manhã de domingo (5), atingida por uma bala perdida enquanto estava no quintal de sua casa, no bairro do Arsenal, em São Gonçalo. Este é o terceiro caso do tipo na cidade no período de um mês.

De acordo com o sobrinho da vítima, Maurício Pessanha, ela estava sozinha em casa no momento do incidente, por volta de 9h30. A família está inconsolável: "É uma perda muito grande, porque ela era minha tia e minha madrinha também. Nunca é bom perder uma pessoa que você ama", disse.

Ainda de acordo com ele, sua esposa chegou ao imóvel momentos após o acontecimento e socorreu Lisete ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), onde deu entrada às 10h02, mas ela já chegou sem vida à unidade de saúde.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que, no momento em que Lisete foi baleada, não realizava operação na localidade. No entanto, Maurício afirma ainda que ouviu uma troca de tiros momentos antes.

A Polícia Civil apura a informação de um confronto entre policiais do 7º BPM (São Gonçalo) e criminosos ocorrido na Comunidade da Dita, que fica próximo à casa da vítima naquela manhã. Para a investigação, é provável que a “bala perdida” que causou a morte da idosa seja oriunda desta ação.

Segundo a Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói, responsável por apurar as circunstâncias da morte, o sobrinho e o filho da vítima já prestaram depoimento. Também foi ouvido o profissional de saúde do Heat que apresentou a ocorrência à polícia.

Ainda de acordo com a especializada, o projétil que atingiu a idosa foi recolhido pela equipe de investigação. O material deverá ser submetido a análise a fim de identificar a arma utilizada para efetuar o disparo.

O corpo de Lisete foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) localizado no bairro de Tribobó, em São Gonçalo. Na manhã desta segunda-feira (6), parentes foram ao local realizar os trâmites de liberação do corpo para sepultamento.

O enterro será realizado na tarde desta segunda-feira, às 15h, no Cemitério de São Miguel, também em São Gonçalo.

Terceiro caso em apenas um mês

Lisete é a terceira idosa a morrer vitimada por bala perdida no intervalo de um mês em São Gonçalo, sendo a primeira no ano de 2020. No dia 6 de dezembro de 2019, a dona de casa Sandra Sales, de 68 anos, foi atingida durante confronto entre PMs e criminosos no bairro do Jardim Catarina. Na ocasião, familiares acusaram os militares de terem efetuado o disparo.

No dia 16 de dezembro, a aposentada Maria dos Remédios Vilarinho de Jesus, de 65 anos, foi baleada e não resistiu, também no Jardim Catarina. A Polícia Militar afirmou, no dia do episódio, que criminosos haviam atacado uma viatura da corporação. Maria estava no local e acabou sendo atingida.

De acordo com dados divulgados pela plataforma Fogo Cruzado, São Gonçalo foi o município com mais baleados (43) e tiroteios (51) no Estado do Rio de Janeiro, no ano de 2019. Além disso, duas, das três mortes por bala perdida no Estado, aconteceram na cidade.

Para Ignácio Cano professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e membro do Laboratório de Análise da Violência, os casos de bala perdida têm a ver com uma prática de extermínio de inimigos praticada pela polícia em suas ações e com a disputa territorial entre facções criminosas.

“Enquanto a política oficial for de extermínio de supostos criminosos, esse número de pessoas mortas por bala perdida continuará sendo muito alto. Da mesma forma, enquanto facções criminosas disputarem território entre si, haverá mortes por bala perdida”, disse o professor.

Ignácio Cano também chama atenção para o risco ao qual as pessoas ficam expostas quando há confrontos em áreas urbanas: “Enquanto tiver tiroteios, seja entre facções ou entre a polícia e supostos criminosos, continuará acontecendo mortes de inocentes. Os tiroteios em áreas urbanas colocam um grande número de pessoas em risco”, destacou.

 

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