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Sarampo volta a assustar

Por professor Aderbal Sabrá e professora Selma Sabrá, especial para O FLUMINENSE

Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado trouxe a atualização mais recente da disseminação do sarampo no país, tomando o período de 19 de maio a 19 de agosto, mas não incluiu o DF. Foram confirmados 1.680 casos. Mais 7.487 estão em investigação e 1 mil foram descartados após análise.

Nos primeiros três meses de 2019, o número global de casos de sarampo aumentou em 300% comparados ao mesmo período de 2018, conforme alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS). Todas as regiões do mundo registram aumento no número de casos da doença. O coeficiente de incidência da doença foi de 0,80 para cada 100.000 habitantes. Esses surtos atuais incluem 168 países de todos os continentes com mais de 170.000 casos confirmados. Em 2019, 1151 casos de sarampo foram notificados em 12 países das Américas. Este número vem aumentando, inclusive para os casos autóctones, que significa que o vírus está circulando no território nacional e não apenas sendo importado de outras regiões. O Brasil perdeu a certificação de país livre da doença surgindo, portanto, todas essas medidas de prevenção dessa doença.

O sarampo é registrado em todo o mundo, principalmente entre o final do inverno e o início da primavera. A transmissão parece aumentar depois de estações chuvosas, em países tropicais como o Brasil.

Com o relato de novos casos de sarampo no Brasil, o Ministério de Saúde estabeleceu ações de combate e prevenção da doença nos estados visando impedir a circulação ativa do vírus do sarampo no país. Alertou aos profissionais da área de saúde, das redes pública e privada em relação aos cuidados e medidas a serem tomadas para evitar a propagação do sarampo.

Algumas dessas orientações recomendam que todos os trabalhadores dos serviços das unidades de saúde sejam vacinados; oferta de treinamentos periódicos, em relação a segurança e riscos biológicos no trabalho; além do remanejamento de funcionárias gestantes que lidariam diretamente com assistência aos casos suspeitos e que ainda não têm comprovação prévia de vacinação.

Foi feito um planejamento de compra da vacina, com base no número de pessoas que devem ser vacinadas, considerando as ações de rotina (média de 2,5 milhões de doses/mês); as ações para interromper a cadeia de transmissão; além da implantação das doses adicionais para crianças entre seis meses a menores de doze meses (dose zero). O Ministério da Saúde irá enviar 1,6 milhão de doses a mais para os estados. O objetivo é intensificar a vacinação desse público-alvo, que é mais suscetível a casos graves e óbitos.

Os maiores registros de casos anuais, com epidemias a cada dois ou três anos, com potencial de afetar pessoas de todas as idades, ocorrem nos países em que a vacinação não atinge a maior parte da população. Naqueles que conseguem manter altos níveis de cobertura vacinal, o número de casos tem caído muito, e ocorrem apenas pequenos surtos a cada cinco/sete anos.

No estado de Rio de Janeiro, no período de 01 de janeiro a 12 de julho de 2019, foram notificados 61 casos suspeitos de sarampo, sendo 11 (18,0%) confirmados, 32 (52,5%) descartados e 18 (29,5%) permanecem em investigação. Os casos confirmados estão distribuídos nos seguintes municípios: Paraty (10) e Rio de Janeiro (1).

Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde.

Transmissão e sintomas

O sarampo é uma doença infecciosa, causada por um vírus, o vírus do sarampo. A transmissão ocorre diretamente de uma pessoa para outra, por meio das secreções do nariz e da boca expelidas ao tossir, respirar ou falar. Por ser uma doença infecciosa altamente contagiosa, a vacinação é a única maneira de prevenir a doença. Para que seja possível interromper a transmissão do sarampo, é preciso que 95% da população esteja vacinada. Portanto, todas as crianças, adolescentes e adultos devem verificar se estão com suas doses de vacina em dia.

Sintomas - Febre alta, conjuntivite, e pequenos pontos brancos na mucosa da boca, na face interna (chamadas de manchas de Koplik), característica do sarampo e o aparecimento de umas manchas na pele, avermelhadas, de distribuição inicial na face e vai descendo para o corpo, com uma distribuição céfalo caudal, uma vez que vai clareando em cima, na face, vai surgindo no tórax e descendo para o abdome e membros inferiores. É altamente contagiosa, e geralmente pode cursar com otite e pneumonia, doenças diarreicas e até comprometimento neurológico (encefalite).

Vacinação - O Ministério da Saúde ampliou a faixa etária de vacinação contra o sarampo. O objetivo é tentar conter o avanço da doença no país. Crianças com idade entre seis meses e um ano devem tomar a chamada dose zero.

A vacina tríplice viral, que previne contra o sarampo, a rubéola e a caxumba pode ser encontrada nos mais de 36 mil postos de vacinação distribuídos em todo o Brasil.

A chamada "dose zero" não substitui e não pode ser considerada válida para uso no calendário nacional da criança. Além dessa dose zero que está sendo aplicada, os pais deverão levar seus filhos para tomar a vacina tríplice viral aos 12 meses de idade, correspondendo à 1ª dose; e aos 15 meses, para tomar a 2ª dose da vacina tríplice viral ou tetraviral ( varicela-catapora). O intervalo entre as doses deve respeitar o período de 30 dias entre elas. A vacinação de rotina das crianças deve ser mantida independentemente de a criança ter tomado a "dose zero" da vacina.

Ministério da Saúde determina bloqueio vacinal

 O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, além da orientação da vacinação, está instruindo os estados e municípios a realizarem o bloqueio vacinal. Isso significa que em uma situação de surto ativo do sarampo, quando for identificado um caso de sarampo em alguma cidade, será necessário vacinar todas as outras pessoas que tiveram contato ou ainda tem, com o caso suspeito em até 72 horas. Entretanto, não há necessidade de revacinar aquelas pessoas que já foram vacinadas anteriormente e que apresentem a comprovação vacinal.

Vacina tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) - No calendário nacional de vacinação, todas as pessoas de 1 a 29 anos de idade devem ter duas doses de vacina de sarampo para ser consideradas protegidas. Os adultos entre 30 e 49 anos de idade, que não tenham comprovação de nenhuma dose, deverão receber pelo menos uma dose da vacina tríplice viral (SCR). A vacina tríplice não é recomendada a crianças menores de seis meses de idade, gestantes e pessoas que apresentem imunossupressão.

Reforçar o esquema de vacinação dos profissionais de área da saúde, como médicos, enfermeiros, dentistas e outros profissionais que atuem nos atendimentos de saúde, independentemente da idade, devem ter registradas duas doses válidas, a partir de um ano de idade e com pelo menos um mês de intervalo entre elas.

A Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) e a OMS recomendam que os Estados Membros orientem a todos os viajantes que não tenham comprovação de vacinação ou imunidade, que recebam a vacina do sarampo e rubéola, preferencialmente a tríplice viral, pelo menos duas semanas antes do deslocamento para áreas onde a transmissão do sarampo já está sendo comprovada.

A vacinação de rotina de crianças maiores, adolescentes e adultos que não tenham comprovação de vacinação prévia, deve ser incentivada de forma eficaz. Considera-se adequadamente imunizadas aquelas pessoas que apresentam duas doses da vacina contra o sarampo, com intervalo mínimo de um mês entre elas e aplicadas, acima de 12 meses de vida.

Muitas pessoas mais velhas tomaram somente uma dose da vacina, e não chegaram a tomar a segunda dose, que deveria ter sido feita, mas acreditava-se que a dose única era suficiente. Hoje, sabemos que não: é necessária uma segunda dose. Atualmente, pessoas que estão na casa dos 30, 40 anos, podem não estar com a vacinação em dia.

O Ministério da Saúde, a partir de 2000, estabeleceu uma segunda dose da vacina contra o sarampo. A vacina trivalente (imuniza contra três doenças: sarampo, rubéola e caxumba). A primeira dose deve ser dada aos 12 meses de idade, e a segunda, três meses após a primeira dose.

É importante lembrar que é possível atualizar as vacinas em qualquer idade. Avaliar a caderneta de vacinação para ver se está tudo em dia é muito importante. Se não houver anotação ou registro se tomou ou não as duas doses, ou mesmo se não sabe se tomou ou não, é melhor procurar o posto para receber a orientação, e tomar a vacina, porque, na dúvida, é melhor vacinar.

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