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Diagnóstico precoce durante pré-natal salva vidas

Gravidez de alto pode ser diagnosticada nos primeiros meses de gestação. Serviço é oferecido gratuitamente

Diagnóstico precoce e acolhimento salvam a vida das mulheres em SG

Divulgação

No mundo, estima-se que 180 bebês nasçam por minuto. Em 2017, no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 2,87 milhões de nascimentos. Por outro lado, cerca de 2 milhões de recém-nascidos morrem no mundo antes de completar um mês de vida, onde um milhão não resiste já ao primeiro dia. Destes, 80% dos casos ocorrem devido a complicações durante o parto, infecções ou prematuridade. Todas essas questões estão ligadas à gravidez de alto risco. Pensando no acolhimento destas gestantes, e com uma proposta de cuidado integral, a Secretaria Municipal de Saúde oferta em sua rede, na Clínica Municipal do Mutondo, o pré-natal de alto risco. O serviço já atendeu mais de 2 mil gestantes, e de janeiro até o momento, neste ano, acolheu cerca de 500 novos casos de gravidez de alto risco.

Inúmeros são os fatores que incidem numa gestação de alto risco, dentre eles estão hipertensão, diabetes, cardiopatias, hepatite, portadores do vírus HIV, obesidade, uso abusivo de drogas, dentre outros. De acordo com a ginecologista e obstetra Jaqueline Moreira, que coordena o pré-natal de alto risco, o diagnóstico precoce mediante ao início imediato do pré-natal é fundamental para o tratamento e cuidado da mãe e do bebê.

"Inicialmente a gestante é acolhida no posto de saúde, pela Atenção Básica, onde é realizada a primeira consulta, e a partir daí, caso haja algum indício, ela é encaminhada para o alto risco, onde fazemos exames, acompanhamentos e acolhemos essa gestante dentro das suas necessidades. Muitas mulheres não sabem que vivem uma gravidez de alto risco, por isso o diagnóstico precoce é importante. Muitas descobrem a gravidez tardiamente, então esse acompanhamento é fundamental para que tudo dê certo e essa gestação vá até o fim da melhor maneira", afirmou.

A descoberta tardia foi o caso da jovem Gabriela Calixto da Silva, de 20 anos, que descobriu um câncer no dia do seu aniversário de 15 anos e precisou amputar a perna esquerda. Com insuficiência respiratória devido ao processo de quimioterapia, Gabriela descobriu a gravidez no quinto mês. Hoje, com sete meses, iniciou os cuidados no pré-natal de alto risco.

"A princípio, por conta do tratamento do câncer eu fiquei um tempo sem menstruar, e a médica falou da possibilidade de ser um mioma. Mas logo comecei a sentir o bebê mexer, e então descobri a gravidez. Por conta da insuficiência sinto muita falta de ar, e vim aqui buscar o tratamento pra cuidar de mim e do meu bebê", contou a mãe de Heitor, que está a caminho.

Para a subsecretária de Atenção Básica, Maria Auxiliadora, a articulação da rede é fundamental para o processo de cuidado e o diagnóstico precoce para as gestantes de alto risco.

"A articulação dos olhares dos diferentes trabalhadores da equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF), que possui a singularidade da presença dos agentes comunitários em saúde, possibilita o desenvolvimento de ações que ultrapassam a racionalidade da assistência curativa, centrada na resolução imediata de problemas de saúde individuais. Ação que não deve ser ignorada, mas, que tem se mostrado insuficiente para modificar os níveis de saúde da população. Por isso a importância da articulação da rede", destacou.

A equipe do pré-natal de alto risco é formada por obstetras, cardiologista, endocrinologista, psicóloga e técnica de enfermagem. De acordo com o Ministério da Saúde, a redução da morbimortalidade materna e perinatal está diretamente relacionada com o acesso das gestantes ao atendimento pré-natal de qualidade e em tempo oportuno, no nível de complexidade necessário.

"As gestantes que se enquadram no pré-natal de alto risco são aquelas com doenças crônicas prévias à gestação; as que apresentam alguma condição ou doença durante a gravidez que ofereça risco para a mãe ou para o bebê, ou as que já tiveram uma gestação anterior de alto risco. Daí a importância de termos uma equipe especializada, com olhar voltado especialmente para as necessidades dessas mulheres!", afirmou a coordenadora da Atenção Especializada, responsável pelo serviço, Ana Carolina Agrizzi.

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