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Abuso sexual: uma realidade oculta

Dra Klísia Verona de Souza Franco Lugão e Dra. Claudete Araújo Cardoso, articulistas convidadas

A Organização Mundial da Saúde considera o abuso sexual um dos maiores problemas de saúde pública e uma grave violação dos direitos humanos.

Crianças e adolescentes, que muitas vezes sofrem abuso sexual silenciosamente, podem também ser vítimas de outros tipos de maus tratos, comprometendo o seu desenvolvimento emocional, físico e intelectual. No Brasil o abuso sexual atinge milhares de meninos e meninas no dia a dia.

O abuso sexual pode ser definido como qualquer relação sexual ou contato íntimo contra a vontade da pessoa, por meio da força física, ameaça, sedução ou influência psicológica gerando sensação de culpa e vergonha, e que muitas vezes acomete o núcleo familiar.

De difícil suspeita e nem sempre com confirmação, os casos de abuso sexual na infância e na adolescência são praticados por agressores que na maioria das vezes estão dentro das casas das vítimas, sendo pessoas de confiança e ligadas diretamente às vítimas e que raramente nós desconfiamos delas. Nem sempre o abuso sexual vem acompanhado de violência física, dificultando assim a confirmação diagnóstica e a possibilidade de denúncia pela vítima.

O abuso sexual pode ser agudo quando ocorre em um tempo máximo de até 72 horas e geralmente ocorre em um ambiente público e está associado à violência física. Atinge principalmente os adolescentes e as mulheres adultas, sendo muitas vezes, o agressor desconhecido. A hipótese diagnóstica é realizada com base na queixa da vítima e nos achados do exame físico. O atendimento deve ser feito no serviço de emergência, o mais rápido possível, para tratamento das possíveis lesões físicas e para realização da prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e da gravidez.

Já o abuso crônico é caracterizado por atos repetidos e geralmente ocorre dentro da residência das vítimas, não sendo associado à violência física.

Ocorre principalmente com crianças e o agressor usualmente é conhecido na relação de convivência com a vítima. Frequentemente não se observam alterações ao exame físico sugestivas de violência sexual, mostrando muitas vezes alterações comportamentais e psicológicas.

Entre 2011 e 2017, o Brasil teve um aumento de 83% nas notificações gerais de violências sexuais contra crianças e adolescentes, e segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde foram notificados 184.524 casos de violência sexual, sendo 58.037 (31,5%) contra crianças e 83.068 (45%) contra adolescentes.

Para que o abuso sexual seja notificado, a vítima e as pessoas do convívio familiar precisam romper o silêncio, e alguém precisa escutá-los para que as providências necessárias possam ser tomadas para a sua proteção e acolhimento.

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