Exposição traz ao Rio a diversidade da arte contemporânea chinesa

Exposição chega ao Rio na próxima quarta-feira (15) - Foto: Divulgação

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Após temporada de sucesso em Brasília, a exposição internacional “Atrás da Grande Muralha - Nova Arte Chinesa e Brasileira" segue sua itinerância pelo país e chega ao Rio de Janeiro na próxima quarta-feira, dia 15. A exposição fica em cartaz até o dia 29 de julho e a entrada é gratuita.

Com curadoria do brasileiro Clay D’Paula, a coletiva traz ao Centro Cultural Correios, com entrada gratuita, a preciosa e pouco conhecida diversidade da arte contemporânea chinesa. Além de trabalhos de nomes de destaque no cenário artístico atual da China, como Angel HUI Hoi Kiu e Sun Xun, a mostra também apresenta obras de artistas brasileiros já consagrados, como Christus Nóbrega e Dulce Schuck Schunck, promovendo um intercâmbio cultural entre a produção dos dois países.

Um dos objetivos do curador Clay D’Paula é mostrar as diferentes maneiras pelas quais os artistas chineses utilizam elementos tradicionais da própria cultura, como a caligrafia, a tinta chinesa e os vestígios da pintura realista socialista, para criar obras criativas e impactantes, voltadas a questões atuais e globais. São trabalhos que traduzem esteticamente a pandemia da Covid-19, as desigualdades da globalização, a fragilidade da matéria, problemas ambientais, a hipocrisia humana e o território estreito e desolador do preconceito.

"Os artistas chineses primam por criar obras cheias de frescor, com reflexões sobre o mundo em que vivemos, mas, ao mesmo tempo, valorizam técnicas e temas locais e tradicionais. A partir de um mergulho na própria cultura, produzem trabalhos inovadores. É isso que faz dessa produção algo único e vibrante na arena internacional da arte", afirma o curador, que fez diversas viagens à China para reunir as obras expostas na exposição.

Entre os artistas chineses de grande destaque, dentro e fora da China, está Sun Xun, presente na mostra com três trabalhos inéditos produzidos durante a sua passagem pelo Brasil, em 2017. Xun é um expoente da nova geração de artistas chineses e suas obras ambiciosas carregam narrativas pluriversais, ou seja, voltadas a várias sociedades e modos de pensar, ainda que lancem mão de suportes tradicionais, como a xilogravura e a tinta chinesa. "O visitante vai se impressionar com o talento excepcional desse artista, que busca inspiração em culturas diversas e na literatura para compor uma produção dinâmica e reveladora", promete o curador.

Outros artistas com grande virtuosismo técnico participam do projeto, como Angel HUI Hoi Kiu, que se inspira na Dinastia Ming (1368-1644), período das brilhantes e celebradas porcelanas brancas e azuis, em suas pinturas com tinta chinesa, trazendo elementos do cotidiano de Hong Kong, como os parques, a flora e a fauna do lugar. Ela também transmuta objetos, ao desenhar e pintar sobre papel higiênico e lenços para assoar o nariz, por exemplo. "Assim eu transformo a natureza desses materiais, conferindo propriedades da parte a esses objetos antes utilitários", explica Kiu.

 

 

Acessibilidade

As obras da artista Dulce Schuck Schunck presentes na exposição possibilitam uma experiência tátil para pessoas com deficiência visual, ampliada por um audioguia musical. “Com a possibilidade de tocar as obras, os visitantes entram em uma nova dimensão. A experiência permite o sentir das linhas, das formas e contornos das obras de arte com as mãos. Isso torna o meu trabalho mais inclusivo, oferecendo oportunidades para esse público que muitas vezes são deixados de lado em projetos de arte”, esclarece ela.

Entre as obras que podem ser tocadas está a “Caliandra”, uma planta nativa do cerrado brasileiro, cujas flores surgem na primavera e no verão. “A criação da artista nos oferece flores etéreas e eternas. Estão sempre floridas. Com cores pulsantes e com linhas que nos permitem ver o invisível. Mas como assim ver o invisível? É possível com as mãos sentir a seiva que leva a água, os nutrientes, o oxigênio e o gás carbônico para o corpo das plantas”, considera o curador da mostra.

Além de tocar as obras de arte, os visitantes podem apreciar a exposição por meio de um audioguia musical, criado especialmente para a mostra. A jornalista Cleide Lopes, da EBC, e o curador Clay D´Paula narram obras chaves que contribuíram para a criação do conceito geral da exposição.

Para acessar o audioguia é só apontar a câmera do celular para os QR codes colocados perto das obras de arte e ouvir as faixas que trazem informações sobre a coleção exposta. Para uma experiência mais ampla, é recomendado que o visitante leve o fone de ouvido de casa.

Serviço:


Local: Centro Cultural Correios RJ (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro – RJ)
Visitação: de 15 de junho a 29 de julho
Horário: terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Como chegar: metrô (descer na estação Uruguaiana, saída em direção a Rua da Alfândega); ônibus (saltar em pontos próximos da Rua Primeiro de Março, da Praça XV ou Candelária); barcas (Terminal Praça XV); VLT (saltar na Av. Rio Branco/Uruguaiana ou Praça XV); trem (saltar na estação Central e pegar VLT até a AV. Rio Branco/Uruguaiana).
Informações: (21) 2253-1580 / E-mail: [email protected]
A unidade conta com acesso para pessoas cadeirantes e limita a quantidade de visitantes, visando a não aglomeração. No local é obrigatório o uso de máscaras.