Teremos uma nova década perdida?

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Chegamos ao fim de 2017 com alguns avanços no campo regulatório e melhoria do ambiente de negócios, descolando a economia da política. Este ano foi aprovada a lei da terceirização e a reforma trabalhista, atualizando as relações entre patrões e trabalhadores e que possibilitará a geração de novos empregos e maior segurança jurídica, mais de acordo com uma sociedade moderna e que deseja se inserir ao século 21.

A taxa básica de juros atingiu os 7% e a inflação encerra o ano bem abaixo do centro da meta de 4,5%. Com isso, a economia começa a dar sinais de retomada e o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 deve crescer aproximadamente 1 ponto percentual. Assim, é fundamental que o governo e o Congresso mantenham o ritmo e promovam as reformas tão necessárias para o país entrar definitivamente nos trilhos.

A postergação de aprovação da reforma previdenciária para 2018, retardando ainda mais a reforma tributária e a implementação dos programas de concessões e privatização do sistema elétrico e de infraestrutura, podem manter a economia estagnada.

Estudos da FIRJAN mostram três cenários possíveis em 2018. Dentre eles temos a possibilidade de encerrarmos o próximo ano com alta de 4% do PIB, confirmando a recuperação do país. Para isso acontecer, a reforma mínima da previdência tem que ser aprovada já. Caso as reformas só ocorram a partir de meados do ano, o crescimento será menor, com alta de 3% do PIB.

Porém, caso as reformas não passem no Congresso, o crescimento não chegará aos 2 pontos percentuais. E as consequências serão mais graves ainda, já que os resultados negativos afastarão os novos investimentos. Ou seja, a quem interessa não aprovar a reforma da previdência?

É fundamental que a sociedade faça essa pergunta e indague aos deputados e senadores, quem ganha com a não aprovação das reformas. A crise do estado do Rio não é de hoje. Vem de longe, há, pelo menos, dez anos. Hoje se sabe que o estado não tem receitas próprias para cobrir o alto custo da folha de pagamento do funcionalismo e a previdência.

De tudo que é arrecadado, 20% é usado apenas para cobrir o déficit previdenciário. Não há recursos para medicamentos e insumos nos hospitais, para material escolar ou mesmo a manutenção das viaturas policiais.

É importante esclarecer a população que a reforma da previdência não mexe nos direitos adquiridos e atingirá apenas uma minoria corporativista, que quer manter seus privilégios. Chegou a hora de dar um basta. Não podemos mais sacrificar exatamente uma parcela da sociedade, aquela que ganha menos. Caso nada seja feito, teremos uma nova década perdida, semelhante aos anos 1980, época da hiperinflação e que desejamos que nunca mais volte.