Fé em Deus e pé na estrada

Cidades
Tpografia
  • Mínimo Pequeno Médio Grande Gigante
  • Fonte Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

Trecho de ligação com a RJ-100 é considerado um dos mais críticos pelos pedestres, que se arriscam entre os carros

Foto: Evelen Gouvêa

Com a retirada dos radares da RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto), por conta do fim do contrato de concessão entre a empresa responsável e o Governo do Estado, moradores de São Gonçalo e Maricá enfrentam diversos problemas no quesito travessia. As dificuldades, que já eram grandes, agora são maiores ainda, em especial no trecho de ligação com a RJ-100 (Estrada Velha de Maricá). No local, que também não tem passarela – a mais próxima fica a 10 minutos da região –, pedestres se arriscam na tentativa de chegar ao outro lado da via dia após dia.

Mais de 15 pessoas foram flagradas atravessando a via às pressas no período de 15 minutos em que a reportagem esteve presente no local. Entre os pedestres, o casal Fernanda e Marcelo Costa, de 30 e 44 anos, respectivamente, morador da região de Pendotiba, Niterói. Grávida de cinco meses, Fernanda destacou o medo de atravessar no local, pois, segundo ela, os carros aumentaram a velocidade por conta da falta de radar – o limite no trecho é de 60km/h.

“Infelizmente a gente precisa correr esse risco para atravessar por aqui, mas agora com muito mais medo. Os carros passam correndo demais, muitas vezes não respeitando os limites de velocidade da rodovia. Ficamos num beco sem saída, já que as passarelas são muito distantes umas das outras e eu, grávida, não consigo andar tanto para atravessar. É preciso resolver isso urgentemente”, declarou.

De acordo com outra pedestre, a aposentada Angela Maria Ferreira, de 65, suas visitas à filha que mora em Inoã vão ficar cada vez mais esporádicas por conta da travessia da pista. Moradora de Maria Paula, ela conta que a travessia é muito mais difícil por conta da falta de passarelas próximas – no trecho entre o bairro de Tribobó e Várzea das Moças, cerca de 12 km, existem apenas cinco delas.

“Vou precisar visitar menos minha filha em Inoã. Sou uma idosa e já não consigo correr para atravessar, muito menos andar tanto para encontrar uma passarela. Muita gente corre risco aqui pela velocidade dos carros. É bom abrir o olho e apertar o passo, até que alguém resolva nossos problemas – a volta do radar seria uma boa”, reclamou.

Sobre os radares na região da RJ-106, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER/RJ) explicou que o contrato do Governo do Estado com a empresa responsável pela instalação dos mesmos acabou e, por conta disso, a companhia removeu os aparelhos. Uma nova licitação para a recolocação dos radares está sendo elaborada, mas não há estimativa para a reinstalação dos mesmos.