Maré revela história e traz receio

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Bandeiras e instrumentos de sinalização foram colocados em um trecho de cerca de 100 metros da praia

Foto: Evelen Gouvêa

Aqueles que visitaram a Praia de Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói, durante a última semana tiveram uma surpresa: com a maré baixa presente no litoral da cidade, banhistas avistaram os escombros da antiga embarcação Camboinhas, naufragada ali desde 1958. Instrumentos de sinalização foram posicionados no trecho de cerca de cem metros, no qual o esqueleto do antigo cargueiro se encontra. As ações foram realizadas pela Sociedade Pró Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam), associação de moradores do bairro, e pela Prefeitura de Niterói.

Segundo a Marinha, a visibilidade dos escombros só é possível por causa da maré baixa, um fenômeno natural produzido a partir da convergência de uma série de fatores. O primeiro são as oscilações periódicas do nível do mar, em especial por causa da força gravitacional existente entre a Terra e a Lua. Já o segundo fator é consequência de um fenômeno meteorológico ocasionado pela atuação de um sistema de alta pressão no Sudeste do País, que tem como consequência um afastamento das águas superficiais do mar, que intensificam o efeito de redução do nível do mar.

A Soprecam instalou duas placas, delimitando a área de risco e avisando aos visitantes sobre a necessidade de cuidados no trecho. Foram instaladas, além das placas, dez bandeiras vermelhas com o intuito de reforçar a instalação, por meio da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser).

O pedreiro Jorge Botelho, de 53 anos, morador da Região Oceânica, relata que o irmão dele já se acidentou por mergulhar próximo aos escombros.

“Não foi nenhum problema grave, mas acho que, se fosse outra pessoa, teria acontecido algo pior. Sinto que seria difícil socorrê-lo ali, já que considero esta praia muito deserta, se comparada a outras do município”, destacou.

Já o engenheiro mecânico Jorge Benther, morador de Piratininga e com 33 anos, ouviu essa história por parte de seus pais, mas nunca tinha visto nenhum destroço

“Acho que, no momento, a sinalização está eficiente para mim – mas poderia estar melhor, já que o risco para crianças ou idosos continua alto”.

A história do cargueiro remonta a 1958, quando ao tentar entrar na Baía de Guanabara, ventos de fortes tempestades partiram o cabo que o prendia – já que ele já estava sendo rebocado, e arrastaram o navio para a direita, onde hoje fica a praia. Nenhuma tentativa de resgate foi bem-sucedida, mesmo que tenham chegado a cinco embarcações.

Em nota, a Marinha diz que os escombros ainda ficarão visíveis nos próximos cinco dias. Não existe nenhuma operação que vise a retirada do que sobrou da antiga embarcação do local.