Niterói: largada para a 6ª Semana Nacional do Trânsito

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A abertura oficial do evento aconteceu na sede da PRF, na Ponte. Na Rua da Conceição teve Vaga Viva com uma vasta programação sobre o tema

Evelen Gouvêa

Com o tema “Nós Somos o Trânsito”, Niterói lançou oficialmente a 6ª Semana Nacional do Trânsito na manhã desta terça-feira (18). A cerimônia, que contou com a participação das principais autoridades da área, lembrou a importância do respeito às leis e ressaltou que a educação no trânsito é responsabilidade de todos. A programação se estende até o dia 25 com debates, oficinas e intervenções artísticas.

Na abertura do evento, André Valim, educador e ator convidado, realizou uma palestra sobre consciência. O objetivo era mostrar que acidentes acontecem pouco, o que ocorre em abundância, na verdade, é a imprudência. O presidente da NitTrans, coronel Paulo Afonso Cunha, afirmou que trânsito é estudo e que a cidade está na luta para diminuir o índice de incidentes. 

“Brasil tem 52 mil mortes por ano decorrentes de acidentes. São 6 mortos a cada 100 mil veículos, estamos perto da Inglaterra e dos Estados Unidos. A Alemanha e a Suíça já chegaram próximo do zero. Se eles fazem, por que é impossível para nós? Todos juntos conseguimos fazer uma Niterói melhor”, disse. 

Pela quarta vez no evento, desde que a Ecoponte assumiu a gestão da Ponte Rio-Niterói, o presidente da concessão Alberto Luiz Lodi ressaltou que o trecho está há dois anos sem acidentes fatais por conta de condições estruturais e educação no trânsito. 

“É a conquista de um trabalho conjunto entre a concessionária, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Operação Lei Seca, assim como o controle de velocidade. Estatísticas mostram que em grandes acidentes há fator humano como causa principal, por isso, é preciso que novas gerações sejam educadas”, opinou.

Também como parte da programação, foi montada na Rua da Conceição, no Centro, a Vaga Viva, que ocupa vagas de estacionamento com a montagem de áreas de convivência. Para o coronel Alexandre Cony, diretor de Operações da NitTrans, a iniciativa mostra aos motoristas a importância de respeitar as normas de trânsito e as sinalizações e locais de estacionamento da cidade. Durante a ocupação há atividades do Espaço Cultural da Grota, Projeto Casa Reviver – IDE, Sesc e NitTrans. 

Nesta quarta, a programação inclui café na ciclovia, às 8h, na Amaral Peixoto com Visconde de Uruguai, abertura do ciclo de palestras às 10h, no Auditório Prefeito João Sampaio, na Praça Fonseca Ramos, no Centro, atividades na Biblioteca Parque e o Arte na Faixa, às 17h, na faixa de pedestres da Amaral Peixoto com Visconde de Uruguai.
 

 

Na Rua Presidente Pedreira, no Ingá, motoristas estacionam sobre a ciclofaixa

Evelen Gouvêa

Obstáculos para mobilidade mais segura

Mesmo com a campanha anual de conscientização no trânsito, Niterói ainda apresenta irregularidades pelas ruas da cidade. Há reclamações com relação ao desrespeito de motoristas a ciclofaixas, a calçadas e às próprias faixas de rolamento. 

Motoristas que trafegam pela cidade reclamam que os caminhões de entrega de mercados não respeitam a sinalização e o espaço determinado para a carga e descarga. No Ingá, por exemplo, nas ruas Presidente Pedreira e Visconde de Morais, não é difícil ver caminhões parados em fila dupla. 

“Sempre param errado aqui, o trânsito, que já é complicado, fica um caos. Às vezes, atrapalha até o nosso trabalho, porque não conseguimos sair. Vem o guarda de trânsito, pede para dar uma volta e fica na mesma”, contou o taxista Ronaldo Melo, de 50 anos. 

Na Rua Desembargador Lima Castro, no Fonseca, a situação é parecida, mesmo com o supermercado tendo um estacionamento. Por lá, não há o plaqueamento indicando a delimitação das vagas e carros de passeio acabam estacionados no lugar dos caminhões. O resultado é uma das duas faixas da pista interditadas para a entrega, que acontece ao longo de todo o dia. 

“Tem dia que tem até carro de passeio parado no lado direito da pista também. Se tem estacionamento do mercado, deveriam parar dentro para não atrapalhar, isso é mobilidade”, opinou o assessor jurídico Lucio Ricardo Gomes, 60.

Na Alameda São Boaventura, ainda no Fonseca, é comum ver pedestres andando pela pista por conta de carros estacionados na calçada. Ontem, além dos veículos irregulares, um caminhão-cegonha estacionou em frente a uma loja de aluguel de carros, dificultando o fluxo. 

Outra reclamação constante na cidade é a falta de respeito à ciclofaixa, mesmo com o número crescente de ciclistas. Além de trafegarem pela faixa especial, motoristas também usam o espaço de estacionamento. Ontem, todos os veículos estacionados na baia de reentrância da Presidente Pedreira, na esquina com Rua Dr. Pereira Nunes, que é estreita, deixaram a parte traseira dos carros na faixa. 

“É muita falta de respeito. A gente só pode desviar, né? Não dá para brigar com todos que infringem a regra. Isso causa medo nas pessoas, minha esposa não anda de bicicleta por isso”, analisou o autônomo José Adalto Pinto Pereira.   

Procurada, a Prefeitura de Niterói não respondeu até o fechamento desta edição sobre as constantes irregularidades.