Por que tanta insegurança?

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Por que nossa sensação de insegurança parece ser quase material, palpável, como se fosse um monstro a nos assolar e fazer com que tenhamos pesadelos horríveis?
Por que temos duas polícias distintas? Uma para amedrontar e impor um respeito que parece perdido há tempos e outra para investigar, gerando um total desencontro de informações e metodologias.

Por que nosso método de investigação continua sendo o mesmo de décadas, séculos atrás? O inquérito policial já mostrou sua ineficiência, que é atestada pela frieza das estatísticas de resolução de crimes. Ocupamos colocações vergonhosas, se comparados a países vizinhos. Índices de um dígito das investigações brasileiras são esmagados por percentuais muito acima de cinquenta por cento, de nações que levam a sério a Segurança Pública.

Por que nossa Polícia Investigativa é dita Judiciária? O viés jurídico da investigação de crimes no Brasil atenta contra a celeridade mais que necessária, principalmente após a revolução da informação. Polícia é uma atividade administrativa, na qual o objetivo é alimentar o Poder Judiciário de provas que incriminem ou inocentem o cidadão. Não parece razoável arrastar essa investigação para a seara jurídica, o que tem, a cada dia, aumentado a distância entre o que a sociedade precisa e o que a Polícia oferece.

Por que no Brasil a modernidade de gestão passa longe das instituições policiais? Assistimos a perpetuação da incoerência, quando vemos a insistência de determinados grupos corporativistas na manutenção da estrutura atual. Uma Polícia Militar que reproduz em seus quadros os abismos sociais existentes aqui fora, pois o pobre, sem poder aquisitivo, vai ser soldado, enquanto o mais abastado, com condições de pagar cursos preparatórios, será o oficial que mandará naquele mesmo soldado pobre. Mais aterrorizante ainda é perceber que nas Polícias Judiciárias, a gestão é entregue um sem número de vezes a jovens inexperientes, que acabam chefiando policiais com décadas de vivência na instituição e, muitas vezes, com titulações muito superiores. Ou alguém em sã consciência acredita que o presidente de uma empresa que abriga diversos executivos experientes entregaria uma direção estratégica a um jovem recém-saído da faculdade?

Por que o cidadão não luta para que a Segurança Pública seja real por aqui? Porque a maior parte da sociedade é egoísta e não pensa no coletivo. Não pensa em cobrar e ter a iniciativa de participar de ações de longo prazo, que possam dar resultados bem lá na frente. A maioria das pessoas se contenta ao ver um carro de Polícia parado nas imediações de sua casa, como se isso fosse combater as causas estruturais de tanta violência.

São muitos “porquês”. Uma infinidade deles. Que têm resposta, têm como ser revertidos, mas que na nossa sociedade ainda permanecerão por um longo tempo a frequentar as rodas de debates sobre (In)Segurança Pública.