São Gonçalo: hora de virar a página

São Gonçalo
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A precariedade na coleta de lixo foi um dos principais problemas enfrentados pelos moradores da cidade durante o ano de 2017

Douglas Macedo/Arquivo

Após um ano da atual gestão municipal, São Gonçalo amarga velhos problemas e não viu cumpridas as promessas do prefeito José Luiz Nanci, que alega ter assumido uma prefeitura falida. E, nas medidas tomadas pelo governo para driblar a crise financeira, causou discussões o pacote que retira direitos do funcionalismo público – chamado pela oposição de ‘Pacote da Maldade’ – e que foi abraçado pela maioria dos vereadores da base aliada. Na cidade, moradores reclamam da coleta precária de lixo. A empresa responsável pelo serviço, a “Marquise Ambiental”, já foi investigada por irregularidades no serviço prestado em gestões anteriores.

Moradores também reclamam da precariedade na iluminação pública da cidade e principalmente da falta de obras. Para tantos problemas, Nanci alega ter recebido uma cidade sem recursos, uma herança maldita de seu antecessor, Neilton Mulim, que atualmente está preso acusado de desvio de recursos públicos.

Ao assumir a prefeitura, Nanci declarou ter encontrado um rombo de aproximadamente R$ 600 milhões nas contas públicas. Durante o ano, seu governo foi marcado por denúncias de nepotismo que estão sendo investigadas pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ). 

Apesar da precariedade dos serviços prestados, o prefeito tomou medidas impopulares, como aumentar a taxa de iluminação e de coleta de lixo. Na última semana de legislatura, ele encaminhou à Câmara Municipal uma mensagem propondo o fim dos adicionais AR (Adicional de Representatividade) e ADF (Adicional de Desempenho Funcional), que complementavam os salários dos servidores. E os vereadores da base aliada, que são maioria, seguiram a determinação do governo e aprovaram o projeto, que entra em vigor agora em 2018.

Saída polêmica – Ao longo de 2017, a Prefeitura de São Gonçalo trocou o seu secretariado dezenas de vezes. Uma das mudanças mais polêmicas foi a saída de Diego São Paio, secretário de Educação até julho de 2017, quando foi demitido pelo prefeito. Em sua despedida, em uma reunião com diretores de diversas unidades da rede municipal de Educação, São Paio foi muito aplaudido. Na ocasião, disse que “fez o que deveria ser feito” na secretaria, mas que algumas decisões estavam fora de seu alcance por uma questão hierárquica.

Na ocasião, os acadêmicos e diretores alegavam que a decisão pela saída do secretário era política, e não técnica, uma vez que o prefeito vinha “sofrendo pressão de vereadores aliados de Nanci para demitir o secretário”.

Esperança – Após mais de um ano sem contrato de iluminação pública em vigor e diversas tentativas de licitação para o serviço falharem, a Prefeitura de São Gonçalo decidiu administrar o serviço por conta própria, a partir de 2018. Já foram alugados caminhões, comprados materiais elétricos e equipamentos para a revitalização da iluminação pública da cidade. A administração do serviço vai ficar por conta do vice-prefeito Ricardo Pericar (SD).

“Este é o momento econômico mais crítico que o município já viveu por conta de outras duas gestões anteriores. Um prefeito está preso [Neilton Mulim] e a outra [Aparecida Panisset] é acusada de improbidade administrativa. Tudo que é necessário para desenvolver o serviço de iluminação que não existia na cidade, é isso que estamos adquirindo. Já temos quatro caminhões alugados para iniciar os trabalhos e mais seis que chegam em junho. A minha meta é que, ainda no primeiro semestre de 2018, consigamos resolver o problema de iluminação pública em todo o município”, disse Pericar, informando que, dos cerca de 65 mil pontos de energia elétrica de São Gonçalo, aproximadamente 25 mil estão fora de funcionamento, ou seja, quase 40% do total. 

Recursos – Após a ida do prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci, a Brasília, em novembro, a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, vinculada ao Ministério das Cidades, aprovou a elaboração de estudos e projetos para o corredor rodoviário Neves – Gebara e para a ciclovia Neves – Guaxindiba, em São Gonçalo. A prefeitura está aguardando a liberação dos recursos até fevereiro, conforme foi alinhado com o Governo Federal e a Secretaria de Estado de Transportes.

O projeto do BRS consiste na criação de um binário aproveitando uma pequena parcela do eixo desativado da antiga ferrovia e o sistema viário do município. O binário deverá ser composto por faixas exclusivas destinadas ao transporte coletivo. Além disso, prevê a criação de uma ciclovia ligando os bairros de Neves e Guaxindiba.

“Grandes investimentos na área da mobilidade urbana são indispensáveis para São Gonçalo. A construção desse corredor específico para o transporte coletivo, que também contemplará a construção de uma ciclovia, é de extrema importância para o crescimento do município. Antes de ser prefeito eu já dizia isso e assumi o compromisso de tornar essa obra uma realidade. Estamos quase lá”, afirma o prefeito de São Gonçalo, José Luiz Nanci.

Procurada para se posicionar, a empresa Marquise Ambiental não foi localizada para se pronunciar sobre a reportagem.