Ele é o dono do jogo na TV

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O ator enxerga Zé Maria, vilão que vive em “A Regra do Jogo”, como uma oportunidade diferenciada na carreira

Foto: Globo/Divulgação

Os mais de 50 anos de trajetória na televisão foram fundamentais para Tony Ramos compreender e dominar os mecanismos do veículo. Mas, principalmente, interpretar todo tipo de personagem. Mesmo assim, o ator enxerga Zé Maria, vilão que vive em “A Regra do Jogo”, como uma oportunidade diferenciada em sua extensa carreira. “Era um papel que faltava por conta do perfil psicológico. Já fiz de tudo um pouco e quero fazer algo que inquiete o espectador. Inquietar o espectador é fazê-lo pensar, raciocinar comigo”, explica.

“A Regra do Jogo” caminha para a reta final. Que análise você faz da novela?
Para mim, o balanço sempre é a partir do que o público diz e como o público chega para mim. Outro dia, foi muito engraçado. Nós estávamos gravando e eu parei o carro no posto. Aí, veio o moço me atender e falou: “Vitória na guerra”. Depois, ele chamou o pessoal da loja de conveniência e todos vieram fazendo o mesmo gesto da facção. É quando você percebe o que é a popularidade de uma novela. Mais do que isso, é quando as pessoas começam a fazer perguntas sobre a trama. O balanço que eu faço é que a novela chegou lá. “A Regra do Jogo” é uma novela em que nós sempre acreditamos, uma novela moderna.

Em determinado momento, a novela recebeu críticas por ser muito violenta. Como encarou isso?
Tem violência em qualquer lugar. Todo mundo vai ver o seriado “Breaking Bad” e acha maravilhoso. É mais violento que a nossa novela. É excelente, vamos deixar claro, mas eles mostram o que é possível acontecer na sociedade contemporânea. Aquele homem, professor desesperado, cria uma droga. Aqui, a novela é todo dia, há um choque, mas hoje o público entendeu. É uma novela que tem uma narrativa muito moderna, com histórias surpreendentes.

O público se acostumou a associar você a tipos do bem. Houve algum tipo de preocupação em relação à aceitação de seu personagem em “A Regra do Jogo” pelo fato de ser um bandido perverso?
Era um risco calculado. O público está acostumado a me ver com personagens mais românticos, mas as pessoas passam batido pelo Carlos Braga, de “O Rebu”. Havia um risco calculado, a gente se questionava sobre como o público reagiria, apesar de ter visto aquele vilão em uma novela das 23 horas recentemente. Mas a reação está aí. O público não deve ser subestimado. O público vai mergulhar ou não em uma história. No começo, ele sentia uma dificuldade.

Em que sentido?
O público não entendia muito os “flashbacks” dentro da história, até acontecer a morte de Djanira (Cássia Kis). Nós sabíamos que seria dessa forma, que, depois da morte de Djanira, a narrativa mudaria e passaria a ser mais linear. E, eventualmente, viria um “flashback”. É preciso ter atenção para esse tipo de narrativa. (Luana Borges/TV Press)