O novo drama de Almodóvar

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Almodóvar mantém a paleta de cores fortes, característica marcante em seus filmes

Divulgação


O mais recente longa-metragem de Pedro Almodóvar, “Julieta”, estreia nesta quinta-feira (7) nos cinemas de todo o Brasil e mostra a volta do diretor espanhol para um drama mais sóbrio. Retomando o universo feminino, três anos após a comédia “Amantes Passageiros”, o filme explora as memórias na vida de Julieta (Emma Suárez). A mulher de meia-idade está prestes a se mudar com seu namorado para Portugal, mas após um encontro com a amiga de sua filha, Beatriz (Michelle Jenner), resolve voltar para o antigo prédio de Madri onde morava. 

Naquele cenário, Julieta resgata suas principais lembranças da juventude (nessa fase da vida, interpretada por Adriana Ugarte), seus ideais, e seus amores, através de uma carta que escreve para sua filha Antía (Blanca Parés), que mantém uma relação distante com a mãe. Os acontecimentos do passado acabam conversando diretamente com a sua melancolia no presente.

O roteiro segue em um fluxo das memórias, que se encaixam uma na outra, esclarecendo o espectador sobre quem é Julieta e seu passado. A maternidade e suas ramificações (mãe, avó e filha) fazem parte desse conjunto de eventos interligados que permeiam a obra e justificam o resgate emocional da protagonista. Os flashbacks também retomam amores proibidos, como as escapadas de Julieta para encontrar Xoan, que vive em uma cidade costeira. A atriz Rossy de Palma, figurinha carimbada em filmes do diretor como “Abraços partidos”, “Kika”, “Mulheres à beira de um ataque de nervos” e outros, faz uma ponta como uma governanta megera.

Almodóvar mantém a paleta de cores fortes, característica que o tornou reconhecido mundialmente, e os ares de telenovela de suas tramas. A protagonista leciona literatura, e as tragédias que conta se associam diretamente com os encontros e desencontros de sua vida, dando sentido ao seu nome shakespeariano. O roteiro é baseado em três contos do livro “A fugitiva” de Alice Munro, vencedora do Nobel de Literatura de 2013. A obra chega com um frescor na filmografia do espanhol, lembrando de longe a mesma sensação de dramas como “Tudo sobre minha mãe” e “Abraços Partidos”, e fazendo o público esquecer do fiasco de seu último filme. “Julieta” chega como um presente aos fãs do cineasta, com sua receita típica: vermelho, tragédias e paixões latentes.