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Entre as peças importantes do acervo de Sr. Mônaco, está uma medalha de 1525.

Foto: Divulgação

Entre prateleiras e um acervo de aproximadamente 30 mil livros, um senhor de 75 anos preserva em sua livraria grandes preciosidades e relíquias do passado, que contam um pouco da história de Niterói. A Livraria Ideal, como é chamado o estabelecimento de Carlos Silvestre Mônaco, está em atividade há 60 anos, o que demonstra uma vida toda dedicada em colecionar histórias. Como forma de apresentar uma parte de toda sua coleção, adquirida ao longo desses anos, o colecionador será um dos palestrantes do vigésimo curso “Niterói – uma escola de glórias”, idealizado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Niterói (IHGN). O evento acontecerá no auditório Amaury Ferreira Muniz, na Fundação Municipal de Educação de Niterói, nesta quinta (6), às 17h e, neste ano, homenageia o historiador Salvador Mata e Silva, que faleceu recentemente e foi um dos presidentes da instituição. 

Na palestra, o livreiro vai mostrar parte das preciosidades culturais e literárias, tais como peças raras e fotografias que representam o passado, analisadas por historiadores que estarão presentes no curso. Um dos destaques da coleção do “Sr. Mônaco”, como é popularmente conhecido, é uma medalha datada do ano de 1525, com quase cinco séculos de existência.

“Essa medalha talvez seja uma das peças mais antigas existentes aqui em Niterói. Outra medalha que possuo é bem mais recente, de 10 de novembro de 1942, mas de grande importância para a história do País. Ela foi do Ministério da Fazenda, projetada e construída na época do presidente Getúlio Vargas. Consegui essas peças a partir de uma aquisição feita de colecionadores. Normalmente, quando o colecionador morre e a família quer repassar a coleção, um dos lugares para onde mandam o material são as livrarias. Aqui sempre chega muita coisa: livros, jornais, fotografias... Boa parte da minha coleção também veio do meu pai, que sempre gostou de reunir esse material”, conta Mônaco.

Não há dinheiro que pague o apreço que o colecionador deposita em suas peças. Além de manter vivos acontecimentos do passado, é uma forma de conhecer as memórias e como os lugares se modificaram com o passar dos anos no processo de construção das cidades. Uma das formas de registrar o tempo é através da fotografia, totalmente diferente do que se conhece hoje em dia. No acervo de Mônaco também se encontram inúmeras fotos da Niterói antiga, como um registro da Avenida Feliciano Sodré, quando ainda era praia, repleta de pessoas se banhando na Baía de Guanabara. Boa parte desses registros é de Augusto Malta, um dos principais fotógrafos do Rio durante a evolução urbana nas primeiras décadas do século XX.

Além disso, o Sr. Mônaco guarda um exemplar do jornal “Diário Popular” do dia da assinatura da Lei Áurea

Foto: Divulgação

Também fazem parte da coleção alguns panfletos com programações de teatro, de 90 anos atrás, principalmente do Teatro Municipal de Niterói. Mônaco também guardou alguns dos principais exemplares de jornais, com notícias que mudaram a história do País, como o exemplar do jornal Diário Popular anunciando a Lei Áurea, que decretou o fim da escravidão.

“É a primeira vez que apresento todas essas coisas para o público. Dentre todos os jornais que guardei, destaco alguns mais relevantes, como o bombardeio do forte de Copacabana, em 1922, o suicídio de Getúlio Vargas e a tentativa de assassinato de Carlos Lacerda, em 1954. Inclusive, possuo a edição do primeiro ano do jornal O FLUMINENSE original, de 1878. É um trabalho de uma vida inteira, de muita história”, reflete.

Além dos jornais, fazem parte de sua coleção fotos originais de artistas famosos, alguns inclusive com seus autógrafos, como o caso do cantor e pianista Nat King Cole. Cartas antigas também estão presentes no acervo, como uma original de 1862, de Gonçalves Dias, um dos grandes poetas brasileiros. 

Com a capa de madeira desgastada pelo tempo, mas, com certeza, uma das peças mais impressionantes de toda sua coleção, Mônaco guarda com muito cuidado a segunda edição corrigida, de 1903, do livro “Os Sertões”, de Euclides de Cunha. 

“Ele era vivo na época e fez as correções a próprio punho. É espetacular. As pessoas também ficam impressionadas com uma réplica que tenho do primeiro catálogo de telefone do Rio de Janeiro, de 1905. Tem até o nº 1, no caso, o primeiro número de telefone e a família que o possuía”, conclui o livreiro.