Triângulo de sentimentos

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Daniel Blanco e Vitor Thiré vivem dois velhos amigos de infância que, por artimanha do destino, acabam se apaixonando pela mesma menina, vivida por Josie Pessoa

Foto: Divulgação

Por Carolina Ribeiro

Inspirada na música “Vento no Litoral”, da banda Legião Urbana, a peça “E o vento vai levando tudo embora” chega em Niterói para uma temporada no Teatro Eduardo Kraichete. Com texto e direção de Regiana Antonini e atuação de Daniel Blanco, Vitor Thiré e da niteroiense Josie Pessoa, o espetáculo estreia nesta sexta-feira (1º) e fica no teatro até o dia 17 de julho.

As sessões de sexta-feira e sábado têm início às 21h e as de domingo começam às 20h. “E o vento vai levando tudo embora” é a continuação de outra peça da autora, “Aonde está você agora”, que se passa na década de 90 e conta a história de dois melhores amigos, Pedro e Gabriel, que se separam. Enquanto Pedro fica em Vila Velha, no Espírito Santo, onde se passa a história, Gabriel vai para Nova Iorque. Apesar da distância, os dois se comunicavam através de um “livro da sorte”, livro de pensamentos quase mágico que, ao abrir em qualquer página, responderia como o outro estava. 

Regiana diz que a peça fez tanto sucesso que começou a imaginar a continuação da vida desses amigos e resolveu criar a segunda parte, onde os dois cumprem um pacto de se reencontrar após sete anos separados. Acontece que acabam se apaixonando pela mesma menina, a Bia. “Diferente da primeira parte, onde testávamos a amizade através da distância, dessa vez, é por meio de um triângulo amoroso, onde vemos o que é mais importante: o amigo ou o amor. Enquanto dirigia os três atores, comecei a pensar em fazer uma trilogia. A terceira parte, chamada “Cavalos Marinhos”, ainda não está escrita, mas deve abordar a experiência dos 40 anos desses ‘irmãos de vida’”, antecipa a autora, que relembra que, quando escreveu o primeiro texto, tinha acabado de perder o pai e a melhor amiga.

Incentivada a escrever sobre algo, escolheu o tema da amizade. Ela usava essa música, “Vento no Litoral”, em especial, para recordar os momentos que viveu com essa amiga. “Posso contar minha vida através das músicas do Legião Urbana. Renato Russo, para mim, é um dos maiores poetas que o Brasil teve e essa canção é muito forte. A voz dele mexe com a nossa alma, ele canta sentindo a música. O Renato, inclusive, foi assistir à primeira peça e ficou muito emocionado e admirado com o que eu fiz. Vou me lembrar disso para sempre. Tem gente que faz música para peça, eu fiz peça para a música”, brinca Regiana. 

Quando perguntada sobre a escolha dos atores, a autora derrete-se. Ela afirma considerar Josie Pessoa como filha, pois a conhece há bastante tempo, além de já terem trabalhado juntas outras vezes. “Quando escrevi essa peça, ela era muito nova na época, mas tinha certeza que ela faria essa personagem. O Vitor e o Daniel foram indicados pelo produtor, mas, quando o Vitor começou a ler o texto, eu vi que era a pessoa certa para o papel. Ele é um ator muito profundo, tem uma emoção à flor da pele e também é muito engraçado ao mesmo tempo. O Daniel foi uma surpresa, pois, quando eu o assistia na televisão, achava que era mais um galã comum. No entanto, quando o vi ensaiando, me surpreendi. As pessoas não têm noção do potencial dele, ele vai longe na carreira”, aposta Regiana, lembrando que a ideia da peça já estava formada em sua cabeça, mas quando os atores têm essa qualidade e dedicação que encontrou nos três, há uma troca de ideias muito grande. Consequentemente, muita coisa foi incorporada na história através deles. 

A autora acrescenta ainda que as peças se passam em uma época em que a internet não estava em evidência e os meios de comunicação não eram fáceis como atualmente. Por esse motivo, resolveram não adaptar para o tempo atual, pois acreditam que, assim, acabariam com a magia e a história da peça. “Se existisse rede social, o personagem do Gabriel saberia que a Bia foi namorada de Pedro, o amigo. Então, esse triângulo, provavelmente, não existiria”, pontua.   

Para o ator Daniel Blanco, que vive o Gabriel, o segredo da amizade é a sinceridade. Falar verdades que machucam, mas que ajudam, e tratar as pessoas do jeito que você gostaria de ser tratado ajuda a criar uma amizade verdadeira. Ele observa que as pessoas estão buscando amigos como família. “Quando a vida de dois amigos toma rumos diferentes, a tendência é diminuir a intimidade. Mas, se você levar a amizade com carinho e sinceridade, quando reencontrar esse amigo, será como se nunca tivessem se separado, pois a empatia e a cumplicidade serão a mesma de antes. Já tive essa experiência e é possível, sim, ter uma amizade verdadeira, mesmo de longe”, relata Daniel, que destaca que, apesar de ser rico, Gabriel é livre de qualquer preconceito e não se importa com o fato de seu melhor amigo ser pobre, pois enxerga a essência da pessoa antes de tudo. 

Vitor Thiré revela que já teve experiência de amizades que ficaram para trás, como as do colégio e infância e que naturalmente são afastadas pela vida, mas acredita que os “amigos do coração” se levam para vida inteira, independentemente do tempo, lugar ou distância. “Eu nunca passei e nem espero passar por um triângulo amoroso, pois acho que uma das três partes vai sair prejudicada e pode acabar se machucando. Pedro é um menino introspectivo e completamente apaixonado pela Bia. Não pensa em outras pessoas, festas e nem em curtição, ela é realmente o grande amor de sua vida. Algo que o torna obsessivo e muito ciumento. É um desafio fazer o Pedro, são várias facetas e camadas. Eu acho importante frisar a diferença de personalidade entre Pedro e Gabriel. Enquanto o meu personagem é mais reservado e amargurado, Gabriel é o oposto. Talvez por isso eles se completem tanto”, compara Vitor. 

Josie Pessoa, intérprete de Bia, nunca passou por um triângulo amoroso em sua vida, apenas na ficção. “A peça levanta essa questão muito séria: o que vale mais a pena, uma amizade ou um amor? Eu estou apaixonada pela minha personagem e pela história. A Bia é uma mulher encantadora, que acredita na magia, com um coração enorme. Ela viveu um grande amor muito jovem e se sentiu presa, até que resolve fugir, mas, quando volta para encarar o passado, se depara com um possível futuro. É uma peça que mexe com muitos sentimentos”, define Josie. 

O Teatro Eduardo Kraichete fica na Av. Roberto Silveira, 123, em Icaraí, Niterói. Amanhã e sábado (2), às 21h; e domingo, às 20h. Preço: R$ 50 (inteira/sexta), R$ 60 (inteira/sábado e domingo). Telefone: 2710-1549.