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Com a experiência dos dois discos e dos shows nacionais e internacionais, o grupo promete uma seleção musical eclética, misturando as canções dos dois álbuns e também outros covers

Foto: Divulgação

O grupo vocal Ordinarius se apresenta nesta terça-feira (28), às 20h, no projeto “MPB em Cena”, no Teatro da UFF, com um repertório que reúne o melhor do cancioneiro nacional, passando pela bossa nova, o samba e o choro. O sexteto se reveza entre canções a cappella e com a ajuda de instrumentos tocados pelos próprios intérpretes, inovando nas versões de músicas já conhecidas da cultura brasileira.

Criada a partir de encontros musicais, o grupo Ordinarius começou a partir de reuniões de Augusto Ordine e Maíra Martins com outros dois amigos que também cantavam em Niterói. O pontapé inicial aconteceu após eles assistirem a um show dos Swingle Singers, um dos principais grupos vocais da Inglaterra, que faz shows pelo mundo desde 1962. “Quisemos criar um grupo com um formato parecido, para cantar um repertório eclético, que misturasse referências diversas e contasse com cantores que pudessem, ao mesmo tempo, cantar bem os acompanhamentos e dominar os solos, e que não estivessem presos a um ‘naipe’ específico, ou seja, há uma flexibilidade”, contou Maíra.

Todos os integrantes possuem uma formação na área da música, seja em lecionar canto, como arranjadores de músicas ou regentes. André Miranda, Letícia Carvalho, Marcelo Saboya e Alice Sales se juntaram a Maíra e Augusto para completar o sexteto. A união desses veteranos rendeu ao grupo a vitória no Concurso Nacional de Grupos Vocais em 2014, além de participarem do “Rock In Rio” de 2013. 

As versões musicais da Ordinarius são carregadas de personalidade e até de uma certa essência brasileira que acompanha os integrantes na hora dos covers. No primeiro disco, lançado em 2012, eles apresentaram uma seleção com nove músicas, incluindo covers de Carmen Miranda e Gilberto Gil. O álbum foi um sucesso de crítica, e foi elegido pelo site Embrulhador como um dos 100 melhores discos brasileiros do ano. 

Em 2015, eles lançaram “Rio de Choro”, através de uma campanha de financiamento coletivo. O álbum homenageia compositores cariocas do choro. Augusto conta que o mais divertido do novo trabalho foi compor para músicas que não tinham letras. “O conceito de cantar música instrumental usando vozes pareceu muito interessante e já tínhamos brincado com isso no primeiro CD – que tem uma versão de ‘Brejeiro’, de Ernesto Nazareth, com letra inventada por mim e aperfeiçoada pelo grupo nos ensaios. Aliás, a brincadeira da ‘letra que não é letra’ é algo que gosto muito de experimentar nos arranjos e, de certa forma, marca a estética desse segundo CD. Gosto muito de ‘André de sapato novo’, aliás, o primeiro arranjo desse novo disco que ficou pronto”, confessa.

O grupo faz grande sucesso nas redes sociais, onde diariamente responde a fãs do Brasil e do mundo. O sucesso do filme musical “A Escolha Perfeita” (2012) e a possibilidade de compartilhar vídeos na internet ampliou o movimento de grupos vocais e a cappella. Grandes artistas surgiram a partir dessas ferramentas da tecnologia e extrapolaram o mundo virtual para a indústria musical de turnês e shows. Apesar do sucesso desses tipos de vídeo no exterior, para Augusto, o espaço para esses grupos ainda é muito pequeno. “Eu comecei a fazer parte de grupos vocais pequenos como o nosso desde o início dos anos 2000, acho que muita coisa acontece desde essa época, mas o público não fica sabendo. É um tipo de música que sempre fica um pouco fora da mídia, mesmo agora com programas dedicados na TV e com YouTube cheio de novidades”, opina. 

Recentemente, os integrantes da Ordinarius receberam um convite do Centro Cultural de Frankfurt, na Alemanha, para realizar workshops de música brasileira para os corais alemães, e também fizeram uma turnê pelo país germânico. Agora, eles chegam ao palco do Teatro da UFF pelo projeto “MPB em Cena”. Com toda a bagagem dos dois discos e dos shows nacionais e internacionais, Augusto prometeu uma seleção musical eclética, misturando as canções dos dois álbuns do grupo e também outros covers internacionais.  “Vai ser um ‘o melhor de Ordinarius’”, adianta Augusto.